Veja tudo sobre as variações da DRE

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Como empreendedor ou gestor, você sabe que precisa ter eficiência operacional e controle da gestão financeira. Para conseguir isso, é necessário realizar a DRE.

A sigla significa Demonstração de Resultado do Exercício. Esse é um documento fundamental para quem deseja reduzir custos e perdas financeiras e obter uma visão mais ampla da gestão do dinheiro da sua empresa.

Você já deve realizar essa análise no seu negócio por ela ser obrigatória conforme a legislação. Mas é bastante comum haver dúvidas a respeito da importância desse instrumento, de quais são os tipos existentes, das receitas que devem ser registradas e de como fazer.

Para que você não tenha mais questionamentos, criamos este post com tudo que você precisa saber sobre as variações da Demonstração de Resultado do Exercício. Então, que tal se aprofundar nesse assunto?

Vamos começar pelo conceito. Afinal de contas, uma pergunta bastante comum é:

1. O que é uma DRE?

Essa demonstração integra os chamados documentos contábeis, que servem para detalhar as finanças e o resultado das empresas. No caso desse instrumento específico, a finalidade é confrontar receitas, despesas e custos que incidiram durante o exercício e formaram o resultado líquido desse período.

A Demonstração de Resultado do Exercício é calculada de acordo com o regime de competência, o que significa que as despesas e receitas devem ser contabilizadas no momento em que ocorrem. Como consequência, os dados desse documento são uma espécie de resumo financeiro dos resultados operacionais e também dos não operacionais.

O exercício financeiro, período de tempo válido para esse recurso contábil, geralmente é considerado de janeiro a dezembro, o que totaliza 12 meses. É importante ressaltar que existe a obrigatoriedade de a empresa entregar esse documento anualmente, de acordo com o artigo 187 da Lei n. 6.404/1976, a denominada Lei das Sociedades por Ações.

Porém, a empresa também tem a possibilidade de elaborar a Demonstração de Resultado do Exercício todos os meses para finalidades administrativas ou a cada 3 meses com objetivos fiscais.

Mas isso não é tudo. Além dessas características, esse instrumento contábil é apresentado em ordem vertical (chamado de forma dedutiva), que especifica que você deve subtrair as despesas das receitas e chegar, então, ao resultado. Se ele for positivo, o negócio teve lucro. Se for negativo, prejuízo.

1.1. Qual o seu propósito?

A principal finalidade da Demonstração de Resultado do Exercício é apurar o resultado do negócio, ou seja, se ele teve prejuízo ou lucro. Esse documento está relacionado a outro informativo contábil, o Balanço Patrimonial (BP).

A diferença entre eles é que o BP indica a posição da empresa em um momento específico. Já a Demonstração de Resultado do Exercício assinala o resultado acumulado em determinado período.

Como um adicional, o instrumento contábil de que estamos tratando apresenta custos e despesas e o resultado das atividades. Dessa forma, também é possível compreender quais são os principais componentes dessa declaração completa, como veremos a seguir.

Ao mesmo tempo são computados, de acordo com o regime de competência:

  • receitas e rendimentos obtidos no período analisado;

  • despesas, custos, perdas e encargos que tenham sido pagos ou incorridos e que correspondam a esses rendimentos e receitas.

Mais adiante vamos explicar como fazer esse cálculo e os tipos de receitas que devem ser inseridas.

Agora é importante ressaltar que a Demonstração de Resultado do Exercício serve para analisar a saúde financeira do negócio e verificar se o que foi planejado está sendo seguido. Isso permite ao gestor financeiro ou ao empreendedor ter um controle maior da empresa e uma visão realista sobre quais decisões devem ser tomadas.

Ele também consegue fazer provisões mais condizentes com a realidade e pode verificar se é viável economicamente fazer alguns tipos de investimentos.

Depois de compreender esse cenário, chega a hora de ver as duas formas de entrega desse instrumento: simples ou completo.

2. DRE simples

Para micro ou pequenos negócios, o formato da Demonstração de Resultado do Exercício pode ser simples. Nesse caso, não são apresentados dados extremamente detalhados. Esse é o caso de farmácias, bares e mercearias, por exemplo.

O objetivo aqui é declarar o montante de despesas deduzido da receita sem especificar as categorias de despesas principais. Assim chega-se ao lucro.

Em resumo, podemos definir que o documento simples tem a seguinte estrutura: receita – despesas = lucro ou prejuízo.

Não há outras especificações para esse formato.

3. DRE completa

Esse modelo da Demonstração de Resultado do Exercício é bastante diferente do formato simples. O modo completo é exigido por lei e apresenta diferentes detalhes que permitem ao gestor ou empreendedor tomar decisões mais condizentes com a realidade.

Os elementos que compõem esse documento são:

  • receitas bruta e líquida de vendas e serviços, deduções de vendas, impostos, abatimentos, custo das mercadorias ou serviços vendidos e lucro bruto;

  • despesas com vendas, financeiras ou que foram deduzidas das receitas e despesas administrativas e gerais, bem como outras despesas operacionais;

  • prejuízo ou lucro operacional e outras receitas e despesas;

  • resultado obtido antes do Imposto de Renda e de sua provisão;

  • participações de debêntures, administradores, empregados e quaisquer partes beneficiárias, inclusive quando têm a forma de instrumentos financeiros, além de fundos de assistência, instituições ou previdência de empregados que não tenham caracterização como despesa;

  • prejuízo ou lucro líquido do exercício e o total por ação do capital social.

Para entender melhor esse formato, vamos compreender quais são as receitas que devem ser registradas.

4. Receitas a serem registradas

A estrutura da Demonstração de Resultado do Exercício considera receitas menos deduções, custos e despesas. As receitas são relevantes nesse processo, porque se a empresa ganha mais do que gasta, tem lucro. Se ocorrer o contrário, o resultado é prejuízo.

A dúvida que fica é: quais são as receitas que devem ser registradas nesse documento e o que significa exatamente uma receita? Vamos começar pelo conceito.

As receitas representam a soma dos valores que a sua empresa recebe dentro de um intervalo de tempo determinado. Ela pode ser relativa aos negócios, rendas ou proventos.

É importante destacar que essa soma é referente a todos os valores porque pode haver mais de uma entrada de dinheiro, ou seja, montantes recebidos que não são originários da venda de produtos ou da prestação de serviços.

É por isso que as receitas são categorizadas em: principal, secundária, não operacional, com sobras de materiais e financeira, como vamos entender melhor a seguir:

4.1. Principal

Esse tipo de receita é proveniente da atividade central da organização, que significa aquela para a qual o negócio foi constituído. Por exemplo: transporte, saúde, educação, reparo, entretenimentos, automóveis, imóveis, alimentos, vestimentas, entre outros.

Como você pôde perceber pelos exemplos, a receita principal, também chamada de primária, pode estar relacionada à venda de produtos ou à prestação de serviços. Isso, na verdade, pouco importa.

O que vale mesmo é entender que essa receita é aquela que caracteriza a companhia, ou seja, refere-se às atividades fins, que correspondem à fatia maior do faturamento.

4.2. Secundária

A receita secundária é menor do que a principal, mas isso não quer dizer que não seja relevante para o negócio. Por exemplo: você pode ter uma empresa de celulose cuja atividade principal é a produção de papel. Mas a venda de papelão também é importante, apesar de ser uma atividade secundária.

Por esse exemplo conseguimos verificar que a receita secundária é correlata à principal. Em outras palavras, elas fazem parte de um mesmo segmento e representam a variedade de portfólio dos produtos da companhia.

Mas atenção! Não devemos confundir o conceito de receita secundária com a variedade de produtos. Por exemplo: uma empresa alimentícia pode produzir e vender salsicha e linguiça, recebendo seus valores a partir da venda de alimentos.

Nesse caso, não há a separação entre principal e secundário e os dois valores são colocados na primeira linha da Demonstração de Resultado do Exercício, como veremos mais à frente.

4.3. Não operacional

Esse tipo de receita é aquele que não tem relação com a atividade operacional do negócio. Por exemplo: uma empresa de móveis que conta com 4 fábricas e vende uma das unidades. O valor recebido não deve ser incluído como recebimento bruto na Demonstração de Resultado do Exercício, mas sim como não operacional.

No exemplo, só teríamos receitas operacionais quando o valor ganho tivesse relação com o negócio principal, que é a fabricação de móveis. A venda de uma unidade, que é não operacional, é um montante não recorrente e que não é originário da atividade primária.

Essa regra deve ser seguida mesmo que a ação não operacional torne-se mais frequente. Por exemplo: se a fábrica vender mais uma fábrica no exercício seguinte, a receita continuará tendo a mesma categoria, e não deverá ser encarada como uma atividade secundária.

4.4 Com sobras de materiais

Essa receita não está presente em todas as empresas, mas deve ser considerada. Ela é proveniente da venda de materiais que sobraram a outras companhias. É, portanto, um recebimento não recorrente.

Se formos voltar ao exemplo da indústria de celulose, devemos lembrar de que a atividade principal é fabricar papel e a secundária é produzir e vender papelão. Esse tipo de negócio tem materiais que são descartados ou vendidos para outras empresas, como as rebarbas e fiapos. Se a opção for a venda, essa é a receita com sobras de materiais.

Essa modalidade também não compõe o chamado core business​, ou seja, a atividade principal da organização. É por isso que não pode ser enquadrada como receita bruta na Demonstração de Resultado do Exercício. O valor deve ser encaixado como receitas diversas ou outros resultados.

4.5 Financeira

Essa modalidade de receita é aquela obtida por meio da rentabilização de dinheiro investido. Isso acontece quando a empresa transfere o valor parado em caixa para aplicações de alta liquidez, ou seja, aquelas que permitem o saque a qualquer momento.

Ao fazer essa opção, a companhia passa a receber um percentual de rentabilidade devido aos juros aplicados em cima do montante depositado. Essa é uma receita financeira, porque é um ganho derivado de juros.

Também se encaixam nessa categoria os descontos conseguidos pela companhia ao fazer o pagamento de juros a terceiros ou a instituições financeiras.

Você já entendeu os 5 tipos de receitas existentes e compreendeu o que é a Demonstração do Resultado do Exercício em suas duas modalidades, simples e completa. Agora falta verificar os principais termos e depois saber como fazer. Vamos lá?

5. Principais termos da DRE

Este post já demonstrou que a Demonstração de Resultado do Exercício conta com diversos termos e expressões importantes. Eles servem para compreender melhor a estrutura desse instrumento contábil.

Por isso, listamos a seguir os principais. Confira:

5.1 Receita operacional

Esse termo é sinônimo de receita bruta ou total das atividades da organização e representa suas operações recorrentes. É relativo aos produtos e/ou serviços vendidos no período do exercício.

Por exemplo: uma empresa que fabrica computadores tem sua receita operacional relativa à venda dos equipamentos. O dinheiro recebido da venda de um terreno não é uma receita operacional nesse caso.

O importante a saber nesse quesito é que uma empresa ter uma receita operacional alta não indica que tem boa saúde financeira ou que tem lucro. Para saber isso, é preciso descontar as despesas para chegar à receita líquida, que vai começar a mostrar como estão as finanças do negócio.

5.2 Vendas canceladas

As vendas canceladas são, como o próprio nome evidencia, os produtos que foram devolvidos pelos clientes. Isso pode ocorrer pelo não atendimento às expectativas dos consumidores, por inconformidades ou defeitos ou qualquer outra razão. O motivo em si não importa. O principal, aqui, é avaliar a mercadoria que voltou para a companhia e, portanto, não gerou lucro.

5.3 Abatimento sobre vendas

Esse fator é derivado dos descontos que foram dados aos consumidores por conta de defeitos apresentados nos produtos. Isso é recorrente, por exemplo, nas vendas de produtos do mostruário.

5.4 Impostos que incidem sobre as vendas

A tributação incidente sobre a venda pode ser bastante variada. Entre os tributos mais comuns estão o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS).

Vale a pena destacar que esse elemento não considera o IR, que será contabilizado ao final da Demonstração de Resultado do Exercício.

5.5 Receita operacional líquida

Esse é o resultado da receita operacional menos vendas canceladas, impostos que incidem sobre as vendas e abatimentos sobre as vendas. Esse valor é voltado para a cobertura das despesas e dos custos da empresa.

5.6 Custo de serviços e mercadorias vendidos

Esse elemento envolve todos os gastos relativos à produção. Por exemplo: mão de obra direta, matéria-prima, custos indiretos de fabricação e outros direcionados à aquisição da mercadoria ou do produto.

Por exemplo: uma empresa comercial tem a aquisição de mercadorias para revenda como integrante dessa categoria. Agora, uma companhia que faz a prestação de serviços deve contabilizar todos os gastos necessários para obter esses serviços.

No caso das indústrias e comércio, esse cálculo é mais fácil. Uma dica é destacar o valor de custo do estoque logo no início do exercício. Com o passar dos meses, é só fazer os acréscimos e diminuir o montante em dinheiro que restou no estoque no final do ano.

5.7 Lucro bruto

Esse é o resultado da diferença obtida entre a receita operacional líquida e o custo de serviços e mercadorias vendidos. O lucro bruto, portanto, indica quanto de dinheiro a companhia recebeu depois da redução dos custos de mão de obra e matéria-prima, que foram utilizados para a produção dos bens.

Com o lucro bruto também é possível calcular sua margem, que é obtida pela divisão desse resultado pela receita total. Por exemplo: lucro bruto de R$ 100.000 e receita total de R$ 75.000. A margem de lucro bruto é calculada assim: R$ 100.000 / R$ 75.000 = 1,33. Para chegar ao percentual é só multiplicar por 100, ou seja, o resultado é 133%.

Empresas que possuem grande vantagem competitiva tendem a apresentar margens de lucro bruto mais altas. Isso é consequência do estabelecimento de preços bem acima dos custos para os produtos e serviços.

Recomenda-se uma margem de lucro bruto superior a 40% para se ter uma vantagem competitiva durável, mas pode haver exceções. Por exemplo: companhias com baixa margem de lucro bruto e poucas despesas, o que representa lucro líquido alto.

5.8 Despesas operacionais

Essas despesas são aquelas que fazem a empresa funcionar no dia a dia. Ou seja, elas são necessárias para a atividade empresarial. Alguns exemplos são as despesas administrativas e com vendas, com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, para a comercialização de mercadorias, amortização, depreciação, entre outras.

5.9 Despesas gerais, de vendas e administrativas

Essa categoria de despesas também se refere às atividades operacionais, mas focam nas ações operacionais. Por exemplo: pagamento de salários e encargos, aluguéis, comissões de vendas, despesas legais e judiciais, compra de material de escritório, gastos com viagens etc.

O ideal é que essas despesas sejam mantidas em nível baixo pela organização para que, caso a receita diminua em algum período, a empresa continue obtendo lucro líquido, mesmo que menor.

5.10 Imposto de renda, contribuição social e participações

Esse elemento representa o pagamento de impostos sobre a renda da empresa. Por isso, demonstra o lucro verdadeiro, que é obtido depois de todas as deduções.

6. Como fazer

A Demonstração de Resultado do Exercício tem sua estrutura definida pela lei, o que significa que as empresas não têm a possibilidade de alterá-la ou fazer customizações. Essa regra é válida para todos os negócios, qualquer seja o porte deles.

Para entender como elaborar esse instrumento contábil, o primeiro passo é justamente entender essa estrutura. Ela é determinada da seguinte forma:

1ª linha ― apresenta-se a receita bruta de vendas (também chamada de operacional ou total), da qual são deduzidos os abatimentos, devoluções de vendas, impostos e descontos comerciais. O resultado dessa conta é chamado de receita líquida de vendas;

2ª linha ― deduz-se da receita líquida de vendas o valor do custo dos serviços e mercadorias vendidos, a fim de obter o lucro bruto;

3ª linha ― subtraem-se do lucro bruto todas as despesas financeiras, operacionais, administrativas e gerais. Com essa conta, obtém-se o resultado operacional líquido, que pode apresentar lucro ou prejuízo;

4ª linha ― acrescenta-se ou deduz-se do resultado operacional líquido os valores não operacionais, por exemplo: participações de empregados, debenturistas, partes beneficiárias e administradores. O objetivo é atingir o lucro líquido do exercício (LLE), que é a finalidade da Demonstração do Resultado do Exercício.

Para ficar ainda mais claro, imagine que a sua empresa tenha obtido uma receita líquida de vendas no valor de R$ 860.335 no exercício. Lembre-se de que esse valor foi obtido a partir da redução de devoluções de vendas, impostos, abatimentos e descontos comerciais.

Outros dados coletados da sua companhia nesse exemplo foram:

custo de mercadorias e serviços vendidos: R$ 484.530;

despesas administrativas e gerais: R$ 242.852;

outras despesas operacionais: R$ 4.748;

despesas financeiras: R$ 12.334;

receitas financeiras: R$ 18.169;

variações cambiais líquidas: R$ 536;

Imposto de Renda (IR) e contribuição social corrente: R$ 32.882;

IR e contribuição social diferida: R$ 3.748.

Aplicando esses valores na estrutura do instrumento contábil de que estamos tratando, temos:

 

Receita operacional líquida

R$ 860.335

Custo de mercadorias e serviços vendidos

R$ 484.530

Resultado = lucro bruto

R$ 375.805

Despesas administrativas e gerais

R$ 242.852

Outras despesas operacionais

R$ 4.748

Resultado = ​lucro bruto – despesas

R$ 128.205

Despesas financeiras

R$ 12.334

Receitas financeiras

R$ 18.169

Variações cambiais líquidas

R$ 536

Resultado = ​lucro antes de IR e contribuição social

R$ 133.504

IR e contribuição social corrente

R$ 32.882

IR e contribuição social diferida

R$ 3.748

​LLE

R$ 96.874

 

A partir desse exemplo, ficou muito mais simples entender como a Demonstração de Resultado do Exercício deve ser estruturada, não é mesmo?

Como você pôde perceber, não há muito segredo. Mas é preciso saber separar as receitas e despesas como indicamos. Depois é só interpretar o resultado para ver se o seu negócio tem uma boa saúde financeira ou se precisa melhorar.

Quer saber mais sobre a DRE e ainda aprender outras dicas para aplicar na gestão financeira e contábil do seu negócio? Assine a nossa newsletter e fique por dentro de todas as novidades!

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