Saiba tudo sobre DRE!

Tempo de leitura: 7 minutos

O Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) não é apenas um componente obrigatório da escrituração contábil. Ainda que esse fator por si só já tenha relevância para os negócios, essa demonstração também deve ser tida como uma ferramenta útil para gestão empresarial e financeira.

Por meio do documento, identifica-se a geração de receitas da companhia, sua capacidade de obter resultado líquido e o volume de despesas que o negócio suporta antes de chegar a lucro ou prejuízo.

Mas isso é só o começo. Adiante, vamos detalhar todos os pontos do Demonstrativo de Resultado do Exercício para que você o entenda por completo e saiba como usá-lo.

O que é DRE?

Como o nome supõe, é uma demonstração de quais foram os rendimentos bruto e líquido após um período de atividades. Esse tempo geralmente é anual, quando a contabilidade é encerrada e todos os seus elementos são emitidos oficialmente. Porém, é possível também emitir o relatório para visualização de qualquer época que se deseje analisar.

Outro ponto importante da explicação do DRE é que ele abrange apenas os fatos do período compreendido. Não há influência alguma de lançamentos posteriores ou anteriores. Por exemplo, se a organização vem de um ano com grande prejuízo e o lucro do exercício atual apenas servirá para cobrir o rombo, o demonstrativo mostrará somente que há resultado líquido para este último período.

Como o documento é estruturado?

Os lançamentos contábeis que dão forma ao DRE são os pertencentes às contas contábeis de resultados. Então, a demonstração elenca os ganhos e gastos para produzir o rendimento do ano.

Primeiramente, são expostas as receitas de vendas ou prestações de serviços. E são deduzidos valores de impostos e devoluções de vendas, quando o negócio pratica o comércio. Também, qualquer outra perda de faturamento desse tipo é registrada, como possível cancelamento de serviço. E então temos a receita líquida.

Os lançamentos contábeis que dão forma ao DRE são os pertencentes às contas contábeis de resultados. Então, a demonstração elenca os ganhos e gastos para produzir o rendimento do ano.

Primeiramente, são expostas as receitas de vendas ou prestações de serviços. E são deduzidos valores de impostos e devoluções de vendas, quando o negócio pratica o comércio. Também, qualquer outra perda de faturamento desse tipo é registrada, como possível cancelamento de serviço. E então temos a receita líquida.

Depois, as despesas relacionadas às vendas ou aos serviços prestados são elencadas e subtraídas, restando o lucro operacional bruto. Logo em seguida, os custos administrativos e gerais são relacionados e também subtraídos, fornecendo o ganho líquido de fato.

Além disso, na hipótese de a empresa ter de fazer pagamentos não operacionais, como dividendos, esses registros também constam antes da apuração do resultado final, influenciando-o. E o mesmo ocorre se houver faturamento que não seja proveniente das operações, como venda de patrimônio do ativo imobilizado.

Havendo provisões de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) para o rendimento líquido — se o regime tributário da empresa assim estabelecer —, esse dado é colocado antes da apresentação do lucro.

Para facilitar o entendimento, vamos ilustrar a estruturação — com números e tributação sobre lucro para exemplificarmos:

exemplo-de-dre

 

Por que o DRE é importante?

Vamos utilizar nosso exemplo de estruturação acima para mostrar como o Demonstrativo de Resultado do Exercício é importante para gestores como ferramenta de apoio à tomada de decisões.

Avaliação de despesas

Comparando a receita total operacional com o resultado, R$ 500.000 e R$ 76.650, temos um lucro final de pouco mais de 15%. Dependendo de quais atividades a empresa desenvolve, é uma margem comum e não indica que haja problema.

Porém, se o segmento oferece grandes margens e despesas enxutas, como vários tipos de prestações de serviços, identificam-se gargalos. E, no caso acima, poderia ser o excesso de custos dos serviços, administrativos e gerais, que somaram R$ 310.000.

Avaliação de regime tributário

Ao fim da nossa ilustração de DRE, tivemos um lucro antes do IRPJ e da CSLL de R$ 105.000 — e ganho líquido de R$ 76.650. Para isso, aplicamos o sistema do Lucro Real, que tributa todo o ganho obtido.

Porém, dependendo da atividade, é possível optar pelo Lucro Presumido. Basta pesquisar se as operações permitem tal enquadramento e qual é a alíquota de presunção sobre a receita bruta. Então, a troca representa economia se o percentual presumido for menor do que a margem real.

Mensuração de lucratividade empresarial

O que define a capacidade de geração de resultados não é o faturamento, mas sim o rendimento líquido. Por exemplo, o negócio é falho se consegue fazer R$ 1 milhão ao ano, mas tem lucro de apenas R$ 50.000 — significa pouca capacidade de ganhos.

Aliás, além da própria avaliação de lucratividade das operações, o DRE pode auxiliar na identificação dos pontos falhos com seus números e registros.

Avaliação de desempenho gerencial e do progresso de resultados

É muito fácil para um gestor lembrar-se dos dois últimos faturamentos e lucros anuais. Porém, é mais difícil lembrar exatamente quanto se gastou com as compras de produtos no mesmo período.

Então, se o decisor observar os dois últimos demonstrativos e perceber aumento nessa despesa, porém proporcional à elevação do faturamento, vê que a gestão de compras seguiu acertando. E é possível perceber que os gastos foram muito bem gerenciados se o gestor considerar fatores de correção monetária e aumento de preços, que independem da empresa e seus profissionais.

Como analisar o DRE?

Além das possibilidades acima — muito adequadas ao trabalho estratégico —, existem duas fórmulas de análise próprias do documento, direcionadas por indicadores financeiros. Aliás, elas também traduzem a importância do demonstrativo.

Análise vertical

O nome dessa análise é devido a seu desenho, que mantém a estrutura comum do DRE e apenas coloca os percentuais ao lado dos valores. Na execução, observa-se a porcentagem das despesas em relação ao faturamento bruto.

No DRE que estruturamos acima, as compras de produtos chegariam a quase 40% da receita total gerada. Sabendo disso, e dependendo da atividade desenvolvida, pode-se tomar alguma decisão para reduzir o percentual, caso seja muito alto para as operações da empresa.

Análise horizontal

A análise horizontal é assim chamada devido à forma como as comparações são feitas, com os períodos colocados lado a lado para visualização e registro de porcentagens de progresso ou regresso.

Aqui, o objetivo é examinar o aumento proporcional de receitas e despesas. E a unidade de medida utilizada nesse método também é a porcentagem.

Para uma avaliação de desempenho gerencial e progresso de resultados, como abordamos há pouco, a aplicação dessa análise torna as respostas mais certeiras e úteis.

Como pôde perceber, o DRE é muito mais do que um documento que apenas mostra ganhos, gastos e o resultado de uma conta entre eles.

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