Como deve ser o relacionamento entre franqueado e franqueador

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Muitas vezes comparado a um casamento, o relacionamento entre franqueado e franqueador é um dos mais delicados no ambiente de negócios.

É uma relação que envolve uma série de regras predefinidas, diálogos constantes, sintonia, proximidade, duplo ganho financeiro e expectativas e pensamentos que deveriam ser os mesmos, mas nem sempre são.

Deve-se levar em conta que, mesmo que o objetivo das duas partes seja fortalecer a franquia, são empreendedores com pontos de vista distintos.

O que garante que um operador de unidade não perca a confiança no franqueador? Como um franqueador pode assegurar que sua marca será bem administrada pelo franqueado?

O sistema de franchising está exposto a diversos tipos de conflitos. Afinal, mais do que uma relação contratual, é uma parceria entre pessoas, e isso faz toda diferença.

No artigo de hoje, vamos mostrar quais são os pilares dessa relação e como ela deve ser desenvolvida para o benefício de ambos. Acompanhe a seguir!

Transparência no início da relação

Uma das principais causas de insatisfação nos franqueados é a baixa rentabilidade do modelo de negócio licenciado.

Muitas vezes, os empreendedores não calculam muito bem o impacto que as taxas, royalties e futuros investimentos obrigatórios podem causar em sua margem de lucro.

Isso, claro, gera uma frustração enorme para quem entra cheio de expectativas na compra de uma franquia.

No entanto, esse é um problema que deve ser resolvido antes mesmo de o contrato ser assinado. Quando um empreendedor se interessa em adquirir a licença de uso de uma franquia, o franqueador é obrigado por lei a fornecer a Circular de Oferta da Franquia (COF).

Esse é um documento que apresenta as condições gerais do negócio. Nele, estão dispostas todas as obrigações de franqueador e franqueado, como as questões das taxas, suporte, preços praticados, projeções financeiras, cláusula de não-concorrência, limite geográfico de atuação, confidencialidade, entre outros pontos.

É nesse início que as duas partes devem alinhar suas expectativas para que não existam surpresas desagradáveis no futuro.

Assistência dada pelo franqueador

Se tem algo que interfere diretamente no sucesso dessa parceria é o suporte oferecido pelo franqueador.

Mesmo que haja um COF ou uma cartilha de boas práticas para os operadores de unidades, é fundamental o acompanhamento próximo daquele que melhor detém conhecimento sobre a gestão da franquia.

O franqueador, por meio de equipes de expansão e capacitação, deve preparar seus franqueadores e respectivos colaboradores a utilizar o padrão da franquia no atendimento aos clientes, na comercialização dos produtos ou serviços, na negociação com fornecedores, na gestão financeira e em outras áreas estratégicas.

Isso pode ser feito por meio de treinamentos, palestras, reuniões e consultorias de campo. De todo modo, é importante que o franqueador esteja acessível ao franqueado sempre que este necessitar de algum suporte.

Confiança do franqueado no franqueador

Essa proximidade entre as duas partes é importante para despertar a confiança no franqueado. Aliás, essa é uma característica fundamental para manter o equilíbrio e o sucesso desse relacionamento.

Qualquer tipo de afastamento, omissão de informações ou insatisfação pode acarretar uma crise de desconfiança do franqueado em relação ao franqueador.

O gestor de uma unidade de negócios precisa enxergar no licenciador da marca um parceiro para que suas metas e sonhos sejam alcançados. Afinal, ele investiu acreditando no modelo de negócio adquirido.

Por outro lado, o franqueador precisa monitorar as movimentações de suas unidades. Ele não pode correr o risco de o franqueado se tornar autônomo o suficiente para tomar decisões que fujam das práticas recomendadas.

Se o franqueado não se sentir amparado, ou ele ficará mais perdido ou será autônomo demais na gestão do negócio.

Reconhecimento dos esforços do franqueado

Algo que pode ajudar muito no ganho de confiança do franqueado é o reconhecimento. Esse é um princípio que norteia diversas relações trabalhistas e sociais e que costuma funcionar muito bem.

Afinal, qual pessoa não gosta de se sentir reconhecida por um trabalho bem-feito ou por uma meta atingida?

Querer ser recompensado por desafios cumpridos faz parte do aspecto humano. Por isso, uma franquia que aposta em um sistema de gratificações dentro da sua gestão de rede tende a ser mais bem-sucedida.

Esses sistemas ou programas de recompensas devem ter critérios claros de classificação e funcionamento para que todos disputem os prêmios nas mesmas condições. O importante é que não exista privilégios.

As unidades podem ser reconhecidas em conversões da franquia ou nos canais públicos da marca. Já as premiações dependerão muito de cada missão ou meta estipulada pelo franqueador, e elas podem ir tanto para franqueados quanto para seus respectivos funcionários.

Participação dos operadores em reuniões estratégicas

Algo que muitos franqueados sentem falta é de uma maior participação no desenvolvimento da franquia como um todo.

Muitos franqueadores são resistentes a esse tipo de participação, mas é bom considerar que novas ideias podem ser bem-vindas para o aprimoramento da relação e do modelo de negócio.

Os empreendedores que pagaram para licenciar a marca podem passar a dominar o negócio tão bem a ponto de terem sugestões que contribuam com toda a rede.

Nesse caso, ao abrir canais para ouvir essas ideias, você aumenta a confiança dos franqueados e faz eles se sentirem mais pertencentes à estrutura da franquia.

Tudo isso se trata de uma gestão participativa. Quando esse conceito é aplicado, os operadores passam a ter mais voz, seja para expor novas oportunidades, seja para apresentar problemas que nem sempre são detectados pelos franqueadores.

Isso pode ser feito por meio de centrais dos franqueados, de convenções regionais ou de reuniões estratégicas entre licenciadores e um grupo de operadores.

Respeito aos direitos e deveres

Voltando um pouco aos aspectos contratuais, franqueadores e franqueados possuem uma série de direitos e deveres a serem cumpridos para que a parceria se mantenha saudável.

Do lado do franqueador, é papel dele repassar todo o modelo de gestão para os operadores, ceder o direito de uso da marca, oferecer treinamentos e consultorias, aprovar ações de marketing, implantar novas unidades e atualizar os franqueados sobre novos padrões de funcionamento da franquia.

O franqueado, entre outras funções, precisa seguir as regras impostas no COF, cuidar da gestão do seu negócio (ele também pode ser dependente do franqueador o tempo todo), cumprir as metas de vendas, pagar as taxas e royalties previstos no contrato, fornecer relatórios financeiros, atuar dentro do território definido e zelar pela imagem da marca licenciada.

Enfim, essas ações visam criar mais união e sinergia nesse relacionamento entre franqueado e franqueador. As boas práticas apresentadas aqui ajudarão a evitar problemas que venham a comprometer o crescimento da franquia, a geração de lucros e, consequentemente, a estabilidade do modelo de negócios.

Agora que você sabe como desenvolver um bom relacionamento entre franqueado e franqueador, é importante compreender as boas práticas para obter mais e melhores resultados com sua franquia.

Então, não deixe de ler nosso post: 5 dicas imprescindíveis para ser um franqueado de sucesso.

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